Juiz Sérgio Moro deixa o Governo por atrito entre Jair Bolsonaro

O Juiz Sérgio Moro deixa o Governo a 512 dias depois de ser anunciado por Bolsonaro como o futuro Ministro da Justiça. O presidente Jair Bolsonaro informou ontem a Sérgio Moro no Palácio do Planalto a intenção de tirar Maurício Valeixo do comando da PF. Moro resistiu disse que se Valeixo saísse, para entrar alguém indicado pelo presidente, ele Moro sairia também. Os Ministros da ala militar conversaram com Moro e tentaram construir uma solução. O dia terminou sem aviso oficial a Moro sobre o que aconteceria.

Ser pego de surpresa com a demissão de Valeixo, foi a gota d’água para Sérgio Moro, ele já estava insatisfeito com movimentos políticos de Bolsonaro mirando a PF desde o segundo semestre do ano passado. Foram 16 meses no cargo, muitos deles marcados por uma série de divergências com o presidente.

Em Novembro de 2018, Sérgio Moro assumiu o Ministério da Justiça e Segurança Pública, quatro dias após a eleição de Jair Bolsonaro. Na época o presidente prometeu carta-branca, garantiu que não iria interferir no trabalho de Moro, começando pela escolha da equipe.

Para ocupar o posto Moro pediu exoneração do cargo de Juiz Federal, abrindo mão de uma carreira de 22 anos, na magistratura ganhou projeção mundial como o Juiz da Lava Jato. Foi Moro quem condenou e determinou a prisão do ex-presidente Lula, depois de decisão em segunda instância. Moro também condenou uma elite empresarial do país acusada de corrupção na Lava Jato, empreiteiros, lobistas e operadores, além de político em diversos partidos como, PT, PS,DB em progressistas.

Sérgio Moro foi o primeiro nome confirmado para o Governo Bolsonaro ele levou uma agenda contra corrupção e o crime organizado. Ele se tornou o ministro mais bem avaliado no primeiro ano do Governo com apoio popular maior do que o do próprio Presidente segundo pesquisa Datafolha. Nos bastidores o protagonismo causou o incômodo e os atritos com o presidente não tardaram. Em fevereiro do ano passado, Sérgio Moro apresentou o pacote Anticrime, com medidas contra corrupção, crime organizado e crimes violentos.

o congresso desidratou o pacote, retirando bandeiras de Moro como, cumprir de pena após a condenação em Segunda instância e aprovou o juiz de garantias, uma espécie de Juiz da investigação, Moro era contra essa proposta. Moro pediu a Bolsonaro que vetasse parte do pacote, mas o presidente não vetou. Outro embate envolveu o COAF, Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

Bolsonaro se irritou quando Moro tentou mudar a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, que restringe o compartilhamento de dados do antigo COAF com a polícia e o Ministério Público. A decisão do Ministro do Supremo, suspendeu parte das investigações contra o Senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

O Ministério Público e a Polícia Federal investiga Flávio Bolsonaro por suspeita do esquema de rachadinha, na época em que era Deputado Estadual no Rio de Janeiro. Em Maio do ano passado, o Ministério da Justiça perdeu o COAF, transferido para o Banco Central depois de decisão do Congresso em Agosto.

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