O Ministro da Saúde Nelson Teich deixa o Governo por divergência

A um dia de completar um mês no cargo Ministro da Saúde Nelson Teich deixou o Governo. O Brasil terá o terceiro Ministro da Saúde em meio a uma pandemia que já matou 14 mil pessoas. A queda de Teich é a décima primeira troca feita pelo Presidente Bolsonaro desde que ele tomou posse há 14 meses, a saída do Ministro acontece depois de divergência sobre o isolamento social e o uso da Cloroquina no tratamento de pacientes da COVID-19.

Na terça-feira o Ministro havia alertado para os riscos do medicamento que ainda não tem eficácia comprovada. O Ministro da Saúde Nelson Teich tinha um compromisso com o Governo do Distrito Federal em Brasília, ele não apareceu nesse compromisso e foi chamado por volta de 10:30 da manhã de ontem, para uma reunião com o Presidente da República. Esse encontro não estava previsto nem na agenda de Teich nem na agenda do Presidente da República.

Nesse encontro o Ministro Nelson informou ao presidente da república o interesse em deixar o cargo. Por volta de 11 horas da manhã, Nelson Thais saiu do Palácio do Planalto sabendo que não seria mais o Ministro da Saúde. A informação sobre exoneração dele foi confirmada minutos depois pela assessoria de imprensa do Ministério da Saúde. Existiam quatro pontos de divergência no entendimento do ministro da Saúde com os desejos da Presidência da República.

O primeiro em relação ao isolamento, o Presidente da República vinha defendendo o isolamento vertical para alguns grupos específicos da sociedade. O Ministro Nelson Teich quando assumiu, no entanto, não mudou radicalmente a política de isolamento que era adotada pelo seu antecessor Luiz Henrique Mandetta a política de isolamento horizontal da população.

O segundo momento de constrangimento foi em relação ao uso da Cloroquina, essa semana Nelson Teich Publicou numa rede social dizendo que, o uso desse medicamento implica em riscos, tem efeitos colaterais e por isso o paciente deve assinar um termo de consentimento, sabendo que não há comprovação científica da eficácia desse medicamento no tratamento da COVID-19.

O terceiro ponto de chamou bastante atenção foi um constrangimento público que Nelson Teich sofreu essa semana em meio a uma coletiva para divulgar os dados do coronavírus. Nessa coletiva ele foi informado que o Presidente da República estava incluindo academias e salões de beleza como atividades essenciais. A expressão do ministro foi de surpresa, ele ficou visivelmente constrangido e disse que essa decisão caberia à Presidência da República e a área econômica do Governo.

Por fim mais um desentendimento entre o Ministério da Saúde e o Palácio do Planalto em relação ao plano de desconfinamento, um plano para o período pós-pandemia. Esse plano tem sido elaborado pelo Ministério da Saúde, mas recebeu muitas críticas dos secretários estaduais e municipais de saúde, porque esse é o momento em que as mortes no Brasil vêm crescendo, então não é tempo de falar em relaxamento. Segundo avaliação dos secretários de saúde, esse plano também recebeu críticas do Palácio do Planalto, Porque a proposta de abertura era suave demais e com isso, a retomada da economia não aconteceria no mesmo tempo que é esperado pelo Palácio do Planalto.

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